Varanda gourmet - Ventisette
A varanda gourmet consolidou-se como presença quase inevitável nos empreendimentos residenciais de alto padrão. E é justamente essa naturalização que exige um olhar mais criterioso — porque nem todo espaço que recebe esse nome foi concebido para ser habitado.
Mais do que churrasqueira e bancada, uma varanda bem projetada precisa resolver simultaneamente três dimensões: preparo, refeição e convivência, sem que nenhuma comprometa as demais. Isso exige metragem adequada, mas sobretudo rigor nas decisões de projeto.
Entre os critérios, um se destaca: a integração com o restante da área social — seja com a cozinha, seja com a sala de estar e jantar, a depender da lógica de cada projeto. Uma varanda que não dialoga diretamente com esses ambientes fragmenta o fluxo do apartamento e isola o anfitrião dos convidados a cada movimento, o que contradiz a essência do espaço. Essa conexão atua junto à metragem e à infraestrutura, mas é o que confere à varanda sua razão de ser.
Varandas concebidas como argumento de lançamento, e não como ambiente de uso real, revelam-se antes mesmo da visita ao imóvel. Metragem insuficiente para circular com dignidade, infraestrutura ausente ou subdimensionada, e a percepção de que o espaço foi acrescentado ao projeto — não integrado a ele.
Com o tempo, esses ambientes são subutilizados. O que não é necessariamente um equívoco de moradia, mas é uma distância considerável entre o que foi vendido e o que foi entregue.
No segmento de alto padrão, a questão transcende a funcionalidade. Uma varanda bem articulada ao fluxo do apartamento deixa de ser um cômodo isolado e passa a organizar a forma de receber, de conviver e de habitar o espaço no cotidiano. É o ambiente que, com o tempo, concentra a vida social do morador.
Essa distinção é o que separa um elemento decorativo de uma decisão arquitetônica.
Em Franca, o Ventisette foi projetado com essa precisão. A varanda, integrada ao restante da área social e dimensionada para comportar simultaneamente as zonas de estar, jantar e receber, é parte estrutural do apartamento — não um complemento. Um espaço pensado para ser vivido, não apenas apresentado.
Publicado no dia 30 de junho de 2026
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